Entrevista com Osvaldo Pascoal da Rádio Globo/SP

Publicado: 20 de janeiro de 2010 em Canal de Entrevistas, Entrevista
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Osvaldo Pascoal Pugliese, ou simplesmente, Osvaldo Pascoal, o comentarista legal. É paulistano, nascido no bairro do Pari, cursou jornalismo e iniciou sua carreira como repórter da Rádio Metropolitana de Mogi das Cruzes, teve uma passagem pela Rádio Globo em 1986, depois seguiu carreira na TV na qual foi repórter da Band por dez anos. Desde 2004 retornou a Rádio Globo para ser comentarista esportivo da emissora e também apresentar o noticiário Globo Cidade. Além disso, Pascoal já trabalhou como gerente de futebol – Goiás, Vila Nova, Figueirense e Guarani – e também é autor do livro Sai da rua, Roberto! Obra no qual relata a vida de Roberto Rivellino.

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Quando você decidiu cursar jornalismo?

Quando era menino ouvia rádio todos os dias, adorava as transmissões esportivas. Colocava o travesseiro em cima do rádio e dormia ouvindo jogos. Decidi, queria fazer este tipo de trabalho, ser repórter era meu objetivo.

Sendo um dos primeiros profissionais do Brasil a cursar jornalismo, como você vê a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em retirar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo?

A minha turma tinha 40 alunos, poucos se tornaram jornalistas, repórteres ou em outras funções dentro de nossas atribuições. Foi uma punhalada nas costas de todos nós, e no meu modo de ver, pura vingança de um Excelentíssimo juiz do STF que já sentiu o poder investigativo da imprensa e tenta nos diminuir, até nos comparando com outras profissões.

Nelson Rodrigues disse na época mais dura da repressão depois que militares quebraram seus dedos:

“Coitados, não sabem que não escrevemos com as mãos.”

“Tiriça”, “Trakunhenhém da Serra”, “pior que pinga de fazer quentão”, “tábua de bater bife”, “não vou pra grupo”, “eles não ligam pro povo”. Essas e outras são frases e bordões que marcam seus comentários. De todos, qual é o seu preferido?

Gosto de todos, falo cada um dentro de um contexto, não trago nada escrito e nem penso antecipadamente, sai na hora, sai das minhas conversas com pessoas do povo, do contato com amigos de todas as camadas sociais. Ainda tenho muito mais para apresentar.

Você chega de um dia de trabalho e dorme como jornalista, ao acordar não resta nenhuma lembrança de sua vida profissional – onde trabalha, cargo, etc. Qual seria sua reação.

Não sei. Sou apaixonado por esta profissão. Seria jornalista novamente. Há uma situação que faço questão, não costumo misturar as coisas. Em casa penso lá, no trabalho penso nele.

Muitos repórteres ficam marcados pelas perguntas que fazem, no seu caso foi um pouco diferente. Como repórter, pode-se dizer que você ficou marcado por ser o primeiro a documentar a memorável frase do velho lobo Zagallo – “Vocês vão ter que me engolir”. Em sua opinião, até para “tirar uma frase” de alguém sem fazer perguntas, é necessário ter o dom de jornalista?

Tive e ainda tenho muita sorte de perguntar e de ouvir as respostas que esperava. Foi uma época muito boa, especialmente na TV Bandeirantes com muitas coberturas Nacionais e Internacionais e felicidade na maioria delas.

Para obter boas respostas o “dom” é importante, porém a confiança do entrevistado no entrevistador é fundamental para que as respostas saiam com naturalidade.

Muitos se dizem comentaristas esportivos, mas mal sabem falar dos times de futebol, não é o seu caso, quem acompanha seus comentários percebe que você também entende, principalmente, de automobilismo, tênis e vôlei. Na sua analise está faltando cronistas que sejam realmente esportivos, ao invés de “futebolísticos”?

Existem jornalistas esportivos que não gostam de outros esportes a não ser futebol, eu vejo o que posso e tento aprender um pouco de cada um. Sei que não conseguirei aprender tudo, mas vou tentando.

Você coleciona carrinhos de brinquedo, que são motorizados, quando surgiu a vontade de possuir esse tipo de coleção? Mesmo sendo uma brincadeira, isso lhe ajuda nos conhecimentos sobre o “mundo automobilístico”?

Este hobby se chama automodelismo rádio controlado. São carros em escala 1/10 com motor a explosão, que atingem 43 mil giros. Com uma velocidade incrível.

Tudo serve como base de conhecimento, desmontando e montando o carrinho, mudando set-up, pneus, motores, engrenagens de transmissão, etc. Pratico há pelo menos cinco anos. É muito legal, uma ótima higiene mental.

Foram dez anos sendo repórter da BAND, para a própria crítica foi considerado o melhor repórter que cobriu a Copa do Mundo de 1998. Para um jornalista, nada se compara a estar na “correria de um repórter”? Você tem vontade de voltar a essa correria?

Cada coisa dentro de seu tempo. Se tiver que voltar a fazer reportagens farei com muito orgulho, com um pouco mais de experiência.

E voltar a trabalhar na televisão, tem vontade? Dá para conciliar rádio e TV?

Claro que dá para conciliar. Até acho que uma hora dessas eu volto.

No Globo Cidade, você mostra seu conhecimento em relação à política, conhecimento de se fazer inveja a muitos comentaristas desse assunto. Nunca lhe passou pela mente entrar para o mundo político, talvez nem como candidato a algum cargo, mas sim trabalhar em algum veículo sendo especialista/crítico em política?

Não. Já me ofereceram legendas para me candidatar, não aceitei e não aceitarei. Não conseguiria viver em um mundo desses. Quanto aos meus comentários políticos falo o que imagino que o cidadão gostaria de falar, é o que eu ouço no açougue, na padaria, no transporte coletivo, pelas ruas…

Continuando a falar do Globo Cidade, dependendo do assunto você verdadeiramente se exalta, com isso, você sofre ou sofreu problemas com processos? A Rádio Globo lhe dá autonomia para seus comentários?

A Rádio Globo não interfere em nada nos meus comentários, a liberdade é uma marca da empresa, contando com nossa responsabilidade. Sei que as vezes passo do limite do razoável, mas não sei ser politicamente correto. Sou como sou, me rebelo contra o que eu acredito ser errado e exalto o que é correto. Não sofri nenhum processo em cinco anos, pois nunca em nenhum momento disse inverdades ou ataquei pessoas. Ataco políticos, que expõem à população a situações até ridículas. Pagamos impostos, merecemos respostas claras e objetivas, sei que cobro duro e não amoleço em horas delicadas, é a minha forma de ser.

Depois que saiu da Band escreveu o livro Sai da Rua, Roberto! Quem já leu o livro fica com a sensação de que não é apenas uma simples biografia, mas que possui uma relevância jornalística. Como autor, você considera o livro, contando a história do Rivellino, uma obra do jornalismo literário?

Neste caso, imaginei fazer uma homenagem à um dos “grandes” do futebol brasileiro que não tinha uma linha escrita a seu respeito. Contei com a colaboração importante da família Rivellino com fotos, fatos e marcas importantes. Foi um trabalho de mais de três anos que me deu muita alegria. A nossa intenção foi prestar uma homenagem com uma biografia.

Por falar em obras publicadas, você tem planos de escrever outro livro, sobre algum tema especifico?

Com a vida corrida não parei para pensar, pode até ser que dia desses, paro um pouco e começo a maquinar uma nova iniciativa.

Depois de ser repórter você conheceu o outro lado do futebol. Foi gerente de futebol do Goiás, Vila Nova, Figueirense e Guarani. Após esse trabalho sua visão mudou em relação aos “cartolas” dos clubes de futebol? Você tem vontade de voltar a gerenciar uma equipe, ou a tentativa de agressão por parte de um torcedor do Guarani fez com que você abandonasse de vez essa carreira?

Foi um grande prazer trabalhar no futebol. Me preparei para isso, estudei, me aprimorei. Tive sucessos importantes, no Figueirense, no Goiás e no Vila Nova. Uma grande decepção é verdade, com os dirigentes do Guarani. O clube é maravilhoso a torcida muito forte, sensacional.

Este torcedor a quem vocês se referem, estava exaltado depois de um jogo diante do Flamengo, mas depois, na segunda-feira foi ao clube me encontrar e fez questão de pedir desculpas. Disse que sabia da minha dedicação ao trabalho, e que na verdade ele queria desabafar contra o Presidente ou contra o Vice-Presidente pelo mal que eles faziam ao clube. Me deu um abraço, e para mim foi o bastante. Tenho muitos amigos em Campinas, uma cidade maravilhosa, e muito carinho pelo Guarani Futebol Clube.

Quanto voltar para algum clube, se a proposta se enquadrar no que imagino, posso pensar.

Você nunca negou que mora no Tatuapé (bairro da zona leste de São Paulo), em sua opinião qual a avaliação dos veículos e profissionais que marcam a periferia, principalmente a zona leste, com o estereótipo de lugar afastado e violento?

Todas as comunidades, bairros, tem muita coisa legal e muita coisa que não é boa. Isso não impede as pessoas de sempre procurar pelo que imagina ser o melhor para elas e sua família. Moro no Tatuapé há 44 anos conheço muita gente, tenho minhas raízes lá, gosto muito.

Qual o fato mais estranho, engraçado e difícil que você vivenciou na profissão?

Muita coisa. Uma marcante é a história do Macedo atacante do São Paulo. Quando chegou à cidade de Santa Cruz de La Sierra chamou o médico do São Paulo e disse que estava passando mal, com falta de ar. O médico disse a ele que não poderia, pois a cidade está ao nível do mar. Os outros jogadores riram muito. Tem muitas outras.

Uma da imprensa. Um repórter perdido nos Estados Unidos ligou para o Centro de imprensa durante a Copa do Mundo de 94 e disse: “Estou perdido, não falo inglês e não sei chegar aí”. O pessoal da emissora onde ele trabalhava falou: “Não saia daí, só me diga o nome da rua mais próxima para mandarmos um motorista”. Ele respondeu de primeira “Estou na esquina de Walk com Don’t Walk, é o que está escrito … Foi só risada.

Uma que aconteceu comigo. No jogo entre Boca e Palmeiras pela Libertadores em La Bonbonera, me xingaram muito sabendo que era brasileiro, um mais exaltado me atirou uma pizza inteira com caixa e tudo, pena que ela caiu com o recheio para baixo, não deu pra aproveitar …

Qual o conselho para quem está começando na profissão de jornalista?

Seja um lutador por suas ideias, não abra mão de seus sonhos. Trace planos e vá busca-los com muita dedicação. Respeite sempre todas as pessoas e seus companheiros de profissão. Pense sempre antes de fazer, para não se arrepender depois. Tente de todas as formas ser feliz, é o mais importante.

Em breve mais uma entrevista da equipe Na Mira!

Um Abraço!!

comentários
  1. Jonas Mena disse:

    Olá,quero agradecer pela entrevista e reportagem que fizeram com esse grande Jornalista, entre outras qualidades…..é interessante termos informaçoes de pessoas admiráveis como Osvaldo Pascoal,e vcs trouxeram a nós, todas elas com a maior clareza e competencia…..PARABÉNS!!!

  2. Diego Lira de Moraes disse:

    Parabéns pela iniciativa do blog de trazer entrevistas de ótimo bom gosto, como é o caso de entrevista com Osvaldo Pascoal. Além do ótimo preparo do entrevistador que em poucas perguntas porém eficientes nos mostrou um pouco do trabalho desse grande jornalista.
    Parabéns mais uma vez vocês merecem!

  3. […] Entrevista com Osvaldo Pascoal da Rádio Globo/SP […]

  4. Eduardo Augusto de Souza disse:

    Parabens Osvaldo Pascoal, fico muito orgulhos de possuir um amigo de infância que conseguiu grande destaque na imprensa.
    Parabens pelo grande profissional que voce se tornou

  5. sofia disse:

    osvaldo queria falar q por muito tempo te procurava seu padrinho de patismo jaime se de pra entra em contato ele te procura faz tempo esta com sdds de vc e queria te ve ja tem tempo esta com 76 anos entra em contato aq é a neta dele por favor entre em contato

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