Entrevista: Equipe do A Hora do Fazendeiro

Publicado: 29 de janeiro de 2010 em Sem categoria


A Hora do Fazendeiro, o programa mais antigo do rádio brasileiro.

Há 72 anos no ar pela Rádio Inconfidência AM de Belo Horizonte.

Um programa que mostra músicas de raiz.

É a cultura do homem do campo sendo revelada, de segunda a sexta, no dial.

O programa que é a prova viva de que o rádio em nosso país tem vida.

É uma atração já lendária, tem uma longa história, até porque são mais de 70 anos sem sair das ondas radiofônicas.

No Brasil, o rádio em si, passou por transformações, mas o A Hora do Fazendeiro não.

Continua no ar, mostrando que apostar na cultura é algo que rende até mesmo no rádio.

E para conversar sobre o A Hora do Fazendeiro, o NA MIRA DA UPA conversou com quem faz esse programa.

O diretor da Inconfidência, Getúlio Neuremberg, a produtora, Aline Louise e os apresentadores, Cristiano Batista e Tina Gonçalves falam sobre a experiência e curiosidades que envolvem em trabalhar com o místico programa.

A partir de agora, o NA MIRA DA UPA apresenta a entrevista com a equipe do A Hora do Fazendeiro.

(Foto: Getúlio, Cristiano e Tina, Aline Louise)
  • Getúlio Neuremberg – Diretor de Jornalismo da Rádio Inconfidência

A marca da programação da Rádio Inconfidência é a cultura, mas falando comercialmente, mesmo a rádio sendo ligada ao Governo do Estado de Minas, é rentável insistir em cultura no rádio?

A Rádio Inconfidência possui hoje duas vertentes bem diferentes, embora a característica de rádio pública seja perseguida em ambas. Temos uma emissora mais tradicional, de 73 anos, em Ondas Médias e Curtas, marcada pelo jornalismo geral, prestação de serviço e companhia para o ouvinte em qualquer tempo ou lugar. Temos também uma emissora em FM, que já completou 30 anos, voltada para a música brasileira e a difusão da cultura mineira e brasileira. Não é o fato de ser ligada ao governo que justifica o enfoque em cultura, sobretudo na sintonia FM, mas entendemos que a Rádio Inconfidência deve ser pública antes de ser estatal. Dessa forma, o olhar dos nossos profissionais em relação à cultura local e nacional tem que ser diferente daquele presente nas emissoras comerciais. Sim,  não obstante, bem trabalhada a cultura é rentável no rádio.

Por falar em cultura, qual a sensação de dirigir uma equipe na   qual  boa parte dos locutores possui ou cursa mestrado?

É um orgulho e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade. No final das contas, quem sai beneficiado é o ouvinte que recebe uma comunicação qualificada. Só no Departamento de Jornalismo temos quatro profissionais com grau de mestre e, no último vestibular da UFMG, nossa repórter Verônica Pimenta, mestra pela mesma instituição, passou em primeiro lugar no novíssimo curso de Dança. De fato, um time de peso.

Sendo diretor da rádio nos diga: A presença do A Hora do Fazendeiro ajuda a alavancar a audiência de toda programação da Rádio Inconfidência AM?

Não só ajuda como é o programa de maior audiência da emissora na AM 880, retransmitido em ondas curtas de 19 e 49 metros. O projeto “Gigante do Ar”, que visa reinaugurar este ano a Inconfidência das melhores épocas em termos de potência e prestígio.

  • ·      Aline Louise – Produtora do programa A Hora do Fazendeiro:

Qual a rotina, se é que ela existe, para produzir esse já lendário programa, A Hora do Fazendeiro?

Todo programa, mesmo jornalístico, que lida com os acontecimentos diários, geralmente imprevisíveis, tem uma rotina. A Hora do Fazendeiro começa com uma busca por notícias relativas ao meio rural em agências de notícia e sites do ramo, com uma checagem aos e-mails que recebemos e contato com nossas fontes. Os assuntos mais relevantes subsidiam as pautas e rendem, posteriormente, matérias ou notas que compõem a parte jornalística do programa, que tem o formato “música e notícia”.

Temos ainda quadros fixos que são gravados diariamente com fontes também fixas. É o caso das “Cotações”, em que um especialista da Ceasa Minas nos passa os preços mais praticados do dia para os produtos comercializados no Entreposto de Contagem, o maior do Estado; a “Previsão do Tempo”, que é feita para o dia seguinte e a noite, para toda Minas Gerais, com um meteorologista do Inmet; a “Dica do Campo”, onde um especialista responde dúvidas de ouvintes ou trata de assuntos relativos ao meio rural, num tom mais didático, passando uma dica mesmo para o ouvinte, que pode ser produtor ou consumidor dos produtos do campo. As dicas podem ser de uma nova oportunidade de negócio, um adubo orgânico, de saúde, alimentação animal, etc. Outro quadro fixo é o de culinária, onde passamos receitas saudáveis e fáceis de fazer com informações a respeito dos alimentos.

Enfim, o programa é todo feito com o objetivo de passar informações relevantes para nosso público, prestar serviços, e assim conseguir colocar em prática a proposta original do programa que é ligar o campo e a cidade.

Qual é a faixa etária dos ouvintes do A Hora do Fazendeiro?

Acreditávamos que eram pessoas mais maduras, porque os ouvintes que nos ligam geralmente são pessoas nesta faixa etária, mas recentemente recebemos uma carta de um ouvinte de 16 anos, lá do Maranhão, o que nos surpreendeu pelo alcance da rádio e pelo fato de pessoas mais jovens também se interessar pelo programa. Ele dizia que gostava muito das dicas de alimentação, dicas do campo e notícias, além das músicas, que são sempre sertanejas de raiz.

Qual o segredo do sucesso há tantos anos com o público alvo?

Acho que é uma conjugação de fatores, e o principal deles é o fato de falar de assuntos e tocar músicas de interesse do público do interior, da gente do campo, que é uma parcela grande da nossa população. Mesmo as pessoas que moram na “cidade grande”, têm um vínculo com o interior. Sempre recebemos cartas e ligações de pessoas que estão em cidades mais urbanizadas, fora de Minas Gerais também, mas que dizem ouvir “A Hora do Fazendeiro”, para matarem a saudade de suas raízes. Sem falar que temos uma equipe dedicada, que faz o programa com gosto, além da nossa dupla de locutores diferenciada, a Tina, que já está à frente do programa há anos e tem uma identificação grande com os ouvintes, e o Cristiano, que tem muito carisma.

O Programa Repórter Esso que permaneceu no ar durante 27 anos, dando em primeira mão as principais notícias do Brasil e do Mundo, foi importante para a cultura brasileira. Qual a importância desse programa para A Hora do Fazendeiro e quais as referências utilizadas?

Um programa como o Repórter Esso, feito sob os preceitos da ética, do respeito ao público, da melhor prática jornalística, comprometida com a verdade, a prestação de serviço e a atualidade, é sempre uma inspiração.

  • ·      Cristiano Batista – Apresentador do A Hora do Fazendeiro:

Devido a toda mística envolvendo o programa, deu um “frio na barriga”, quando soube que iria assumir o comando dessa atração?

Com certeza. Pois tinha acabado de entrar na rádio, e me designaram a apresentar no lugar do José Penido, que estava de férias. E depois de um mês me colocaram definitivamente no programa. Até hoje dá um “frio na barriga”, pois se trata do programa mais antigo do Brasil, talvez do mundo.

Ao apresentar outros programas na Inconfidência, você vê dificuldade de se desvincular do A Hora do Fazendeiro?

Não. Pois os outros programas possuem uma temática diferente. Faço jornalismo também na rádio, além do Hora do fazendeiro, e os outros são musicais. Mas sempre vão  lembrar de mim como o companheiro da Tina Gonçalves na apresentação deste programa.

  • ·      Tina Gonçalves – Apresentadora do A Hora do Fazendeiro:

O reconhecimento por apresentar o programa já lhe rendeu outros trabalhos?

Sim, os shows que eu fazia em circos,  propagandas no rádio e até na TV. E também a descoberta de grandes valores (duplas sertanejas) que hoje fazem sucesso por todo o Brasil.

O programa conserva algum tipo de identidade cultural essencialmente brasileira, ou mineira? Por qual motivo?

Sim. Brasileira e minera. Há 73 anos o homem do campo se identifica com o A Hora do Fazendeiro. E nós somos a  referência sobre notícias agropecuárias entre várias gerações. Do homem simples do campo aos grandes empresários.

No início ouve algum tipo de resistência, tanto da coordenação da rádio quanto dos ouvintes, por uma mulher apresentar o programa, que como o nome diz é do “Fazendeiro”?

Não, porque vim a convite da direção da rádio em 1970, especialmente para apresentar os programas Delmário é o Espetáculo e A Hora do Fazendeiro, que na época eram  também programas de auditório.

  • ·      Respostas simultâneas dos apresentadores Cristiano e Tina:

Sendo os dois locutores titulares do programa, acham que já alcançaram o ápice do entrosamento?

Graças a Deus, muito. São duas gerações  apresentando um programa desta importância. Pois estamos aliados  com a minha experiência de longos anos e a juventude, o carisma e a força de vontade do Cristiano.

Qual a situação mais engraçada ou embaraços durante a apresentação do programa?

Situação são várias, mas não podemos divulgar (risos).

O Programa mudou muito do ponto de vista musical para se adaptar aos ouvintes de hoje em dia?

Do ponto de vista musical não mudou nada, continuamos tocando música sertaneja de raiz como há 73 anos. E não existem pretensões de mudança, pois caso contrário mudaria a identidade do programa.

Em breve no blog do NA MIRA DA UPA mais uma entrevista com casos e acasos que envolvem a comunicação.

NA MIRA DA UPA – O canal de entrevistas do Comunique-se

comentários
  1. salim pedro teixeira disse:

    PARA BENS PELO PROGRAMA A HORA DO FAZENDEIRO SEMPRE GOSTEI DO PROGRAMA E a Tina e um fenomino de apresentadora etc toda equipe

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