Entrevista com Renata Falzoni da ESPN

Publicado: 5 de março de 2010 em Canal de Entrevistas, Comunique-se, Entrevista, Mulheres do Esporte, Na Mira
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MULHERES DO ESPORTE

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Renata Falzoni, jornalista, bike-repórter e aventureira. Em entrevista ao NA MIRA DA UPA, Falzoni, apresentadora da ESPN e repórter da Rádio Eldorado conta um pouco de suas viagens, da situação das bicicletas no país, da carreira como arquiteta, de seu ativismo político. Além de revelar sua maior aventura… ser mãe.

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O que falta para que São Paulo e as grandes cidades brasileiras tenham ciclovias? O ponto “x” é só o interesse político?

Uma quebrada no paradigma na política pública das cidades. Hoje no Brasil as cidades têm o seu foco administrativo voltado para o conforto (impossível) daqueles que estão em automóveis e apenas eles. O resto é o resto, assim os pedestres não são contemplados com infra-estrutura muito menos os ciclistas, excluídos na maior parte das grandes cidades do Brasil.

Você acha que com a união dos ciclistas, dos ciclo ativistas e esportistas seria possível um manifesto de maior alcance ao Governo com relação às questões ambientais?

Não apenas as uniões de ciclistas, mas todo um conjunto de pressão oriundo por também essas entidades. A massa crítica de cidadãos, como acontece aqui em São Paulo, vai determinar soluções quer o poder público queira quer não.

Algumas leis e códigos de trânsito são divulgados e enfatizados na mídia, não seria viável fazer o mesmo com as leis e códigos que dizem respeito aos ciclistas? Já que não há respeito e tampouco conhecimento seria um caminho uma divulgação maior?

As leis que fomentam ou fomentariam o transporte cicloviário  existem no Brasil, mas estas fazem parte de um conjunto de leis “que não pegam” que são sumariamente ignoradas,  No Brasil o transporte em bicicleta ainda que muito praticado é excluído não é por falta de leis e sim por falta de vontade política de cumpri-las.O que falta é o Ministério Público ser acionado e atuar.

Com todo esse ativismo você já cogitou entrar na política, para representar a classe dos ciclistas?

Fui candidata em 1996 a vereadora não me elegi e hoje em dia não quero mais saber de entrar na política dessa forma. Faço outro tipo de política, pressiono os políticos no poder..

Sendo declaradamente ativista do transporte em bicicletas, um tema que não é tão polêmico, como ser ativista para a liberação da maconha. Mas pelo simples fator de ser “ativista” você já sofreu ou sofre com ameaças e preconceito?

Sofro preconceito por vários motivos
1º. Ser mulher.
2°. Usar a bicicleta como meio de transporte, sou confundida e excluída. É hilário.
Chego a uma portaria e o atendente não raro me pergunta se eu tenho uma encomenda a ser entregue. Confunde-me com bike boy, (risos). Muito raro acreditam ser verdade eu ter uma reunião de negócios com o patrão.
3°. Estacionamentos, não aceitam bicicletas. Manobristas não aceitam bicicletas. Isso está relacionado a preconceito e bike fobia.
4°. No trabalho hoje em dia não sofro mais preconceito pelo fato de eu ir de bike, mas antes sim. Perdi um emprego de arquitetura por não “pegar bem” ir de bike ver os clientes.

Mesmo com esse perfil de “Aventureira” em alguma viagem/expedição você teve medo de que algo pudesse acontecer de errado?

Eu sou muito cuidadosa. Sempre algo dá errado, mas em geral eu tenho um plano B equacionado.

Formada em Arquitetura, quando surgiu esse talento para a comunicação?

Eu sou fotógrafa desde os meus oito anos de idade. E nessa idade eu já filmava em 8 mm. Quando resolvi ingressar no jornalismo era para ser fotógrafa, foto jornalista.  Chegar a TV foi um passo.

Na sua vida e carreira, qual foi a sua maior aventura?

Ter uma filha.

Quais os frutos a se colher pelo fato de ter sido uma das precursoras no formato vídeo-reportagem?

O conhecimento da profissão apenas isso, pois louros não enchem a barriga de ninguém.

De tantas expedições, ainda falta alguma aventura que você tem desejo de realizar?

Muitas mesmo, mas eu não tenho pressa. Eu conheço muito pouco da África, na America Central, do Oriente da Ásia. O mundo é enorme e eu pretendo viajar e pedalar até o fim de minha vida.

Em sua opinião, esse mercado, tanto o de vídeo-reportagem quanto o de “cobrir aventuras”, está em expansão no Brasil?

Está sim, mas no Brasil nunca será um filão de trabalho para muitos. Na real o Brasil tem potencial, mas é muito voltado ao futebol e a TV Globo. Todo o dinheiro fica concentrado nesses dois pólos.

comentários
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