Entrevista com Vanessa Ruiz da Revista ESPN

Publicado: 30 de março de 2010 em jornalismo, Mulheres do Esporte, Na Mira
Tags:, , ,

MULHERES DO ESPORTE

Profissional jovem, com experiência em rádio, site e agora revista. Estagiária, trainee, pauteira, produtora, repórter. Jornalista. Apaixonada por internet, mantém um blog em 2.0 – o Entrelace – e acredita que a web tende a crescer cada vez mais.

Em entrevista ao NA MIRA DA UPA!, Vanessa Ruiz, 25 anos, conta sobre seu início de carreira, estagiando na produção do Sistema Globo de Rádio, as mudanças que vêm ocorrendo na equipe de repórteres dessa rádio, sua passagem pelo Portal Terra e agora a nova experiência, ser repórter da Revista ESPN.


Além disso, ela revela seu interesse pela Fórmula 1 e sobre o convite para trabalhar na Revista ESPN, convite esse que surgiu graças as suas Twittadas.

A partir de agora você confere: Vanessa Ruiz está NA MIRA DA UPA!

.

Sempre gostou de esportes, ou começou a se interessar por esse assunto no início de sua carreira na Rádio Globo?

Sempre gostei, mas não quis fazer jornalismo por causa disso. É verdade que nunca imaginei que poderia trabalhar com um hobby – talvez por alguma questão de formação achava que isto não era cabível – e justamente por isso foi uma grata surpresa a imediata identificação que aconteceu quando entrei na editoria. Eu era estagiária e fazia parte passar pelo esporte da Rádio Globo e da CBN. Comecei a me envolver primeiro com a produção, depois com as pautas e reportagens. Assim que me formei, comecei como repórter trainee no esporte mesmo.

Um fato é que o Sistema Globo de Rádio tem mudado muito sua equipe de repórteres, desde a saída de Ângelo Ananias e Romeu César. Para você, que também se desligou do grupo, qual o motivo para tantas mudanças?

Não há nenhum grande mistério nas alterações que foram feitas na equipe. A minha saída, especificamente, não tem a ver com a leva que tirou os repórteres mais experientes da rádio. Quando houve a mudança na chefia, com a entrada de pessoas que estavam alinhadas com o comando maior da empresa, o que aconteceu foi simplesmente uma adaptação do departamento ao novo perfil: repórteres que fossem não só bons no ao vivo, mas que tivessem um texto legal e que estivessem dispostos a encarar as mudanças. O Jésse Nascimento, por exemplo, é daquela geração e se encaixou muito bem, desenvolvendo e fazendo valer a sua habilidade para apurar notícias exclusivas, por exemplo. Mudanças não são fáceis, mas podem te ajudar a crescer também. Por outro lado, se a alteração leva a coisa para um lado que não é o seu, tampouco vale a pena se matar para fazer algo que não condiz com seu perfil.

Pela Globo/CBN chegou a fazer viagens cobrindo a Fórmula 1. Qual a experiência adquirida com essa cobertura e, nos diga, esse meio de cobrir automobilismo ainda tem resistência com as mulheres?

As coberturas no exterior foram muito importantes para que eu realmente compreendesse do que é feito o mundo da Fórmula 1, quem são os personagens dessa história que nunca aparecem no noticiário. Além disso, conhecer pessoalmente os assessores de imprensa das equipes também facilita muito o trabalho quando é preciso estar à distância novamente. Todo o meio esportivo que é majoritariamente masculino ainda tem resistência com as mulheres.
Não adianta choramingar. É chegar aonde for, ter uma postura sóbria e trabalhar, trabalhar, trabalhar. É assim que você conquista respeito.

Por falar em automobilismo, pretende seguir carreira na F1 e afins, sendo sua especialidade no jornalismo?

Hoje, não me vejo trabalhando com outro tema a não ser esportes. É um nicho que ainda é pouco explorado, tem muitas reportagens que não foram feitas. Às vezes, ninguém se dá conta porque é engolido pelo dia-a-dia, ou porque tem que sair da zona de conforto do setorismo declaratório, que vivem de aspas.
Quanto ao automobilismo, é uma coisa que certamente continuarei fazendo e talvez até com mais prazer justamente por não ser o tema sobre o qual trato todo dia trabalhando na revista.

É mais difícil arrancar uma informação de um jogador de futebol ou de um piloto da Fórmula 1?

Parecem diferentes, mas são iguais. Arrancar as tais “aspas” é fácil, mas arrancar uma  informação de verdade não é; este é o grande desafio do jornalismo. Será sempre difícil se você quiser chegar a uma informação que possa alterar os rumos de alguma coisa.

Em um futuro próximo, como você vê a web 2.0? Ressaltando que, na mídia brasileira, você é uma das precursoras nessa ferramenta, por meio de seu blog, o Entrelace.

Infelizmente, com tudo o que vem acontecendo na minha carreira desde o final de 2009, o Entrelace 2.0 ficou um pouco escanteado, mas continua lá. Para mim, o futuro da web é móbile. Ainda vai demorar alguns anos, mas será incrível quando todos puderem andar por aí carregando o mundo nas mãos para fazer uso de tudo o que a rede proporciona.

Pretende voltar algum dia a trabalhar em rádio, ou pensa, no momento, em manter seu blog e o trabalho na Revista ESPN?

Não pretendo me desligar do rádio e o pessoal aqui da revista já sabe disso. O trabalho na revista demanda muito, é minha prioridade agora.

É muito provável que, em um futuro próximo, haja algum projeto ligando as duas coisas.
Quanto ao blog, assim que eu me adaptar à rotina da casa nova, ele será “ressuscitado”.

Ainda no tema Web 2.0., você analisa como válido os jornalistas divulgarem informações, por meio de Twitter e outras mídias sociais?

Acho muito válido. Se o jogador de futebol não precisa mais do jornal para contar à quantas anda sua recuperação ou o que achou de um jogo, a mesma coisa vale para os jornalistas. O problema é que tem muita gente que ainda se apóia na marca do veículo que o emprega, talvez porque o mercado ainda não esteja realmente pronto para absorver um jornalista autônomo. Só comecei a colaborar com a Revista ESPN porque um jornalista conceituado que nunca me viu, mas me lia no Twitter e no blog, me indicou para o diretor da revista – hoje, aliás, ocupo uma vaga permanente na redação como repórter. Vejo que o desafio maior agora é descobrir formas de sobreviver financeiramente por meio da web sem ter um veículo por trás, sem nem mesmo um grande portal.

Em sua passagem pelo Portal Terra, qual foi à experiência? E qual a diferença de se trabalhar em um site e em uma rádio?

Passei um mês no Terra, o que eu fazia era chegar cedo, ler todos os jornais, todos os portais e checar o que o Terra já tinha divulgado. Fui o terror dos editores no mês que passei lá (risos).
O ritmo de site e rádio é muito parecido, mas, sinceramente, nada perde para o rádio, por mais que a internet seja veloz, você ainda precisa escrever ou colocar o áudio no ar por meio da plataforma. No rádio, basta ligar para o estúdio e “sair falando”.

Profissional jovem, você esperava trabalhar em rádio, web e agora impresso já nessa fase de sua carreira?

Eu já sabia que se saísse da CBN e da Rádio Globo, seria para experimentar coisas novas. Era uma sede que eu tinha. Talvez eu não esperasse, mas o que fiz foi correr atrás de boas oportunidades e elas apareceram.  As mídias estão de fato convergindo cada vez mais.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s