Entrevista com Ricardo Boechat da TV Bandeirantes

Publicado: 19 de abril de 2010 em Comunique-se, Entrevista, Entrevistados de 2009, jornalismo, Prêmio Comunique-se, TV
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Entrevista realizada em março de 2009.

Ricardo Eugênio Boechat nasceu no dia 13 de julho de 1952, em Buenos Aires – Argentina.

Começou sua carreira em 1970 como repórter do extinto jornal “Diário de Notícias”. Também nos anos 70, iniciou sua carreira como colunista, colaborando com a equipe de Ibrahim Sued. Depois, em 83, assumiu a coluna Swann, em O Globo. Em 87, aceitou o convite do então governador Moreira Franco, deixou a coluna para assumir a Secretaria de Estado de Comunicação Social do Rio de Janeiro. Mas a experiência na vida pública durou apenas seis meses. Boechat pediu demissão e voltou para as redações, desta vez, como coordenador de redação do Jornal do Brasil.

Em 89, foi diretor da sucursal do Estado de S.Paulo no Rio de Janeiro e após um ano, voltou à coluna do Swann. Em 2001, no Jornal do Brasil, foi responsável pela coluna Informe JB e chefe de redação, passando a assinar também, até dezembro de 2005, a coluna Boechat. Antes de apresentar o Jornal da Band (fevereiro de 2006) Ricardo Boechat era diretor da redação da Band Rio e da Bandnews FM no Rio de Janeiro.

Repórter consagrado e reconhecido como um dos jornalistas mais bem informados do país, Ricardo Boechat acumula passagens por Diário de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil, SBT, O Dia, O Estado de S. Paulo. Atualmente, apresenta o jornal matutino na rádio Bandnews FM, transmitido para toda rede. Se destaca apresentando o Jornal da Band e escreve semanalmente uma coluna com seu nome na revista IstoÉ.

Ganhador de três Prêmios Esso e do prêmio White Martins de Imprensa, Ricardo Boechat também é autor do livro “Um Hotel e sua História” sobre a trajetória do Copacabana Palace.

Prêmio Comunique-se: em 2006, conquistou o prêmio na Categoria Âncora da Rádio. Em 2007, ganhou na Categoria Apresentador de TV. Em 2008, ganhou nas Categorias de Âncora de Rádio, pela Bandnews e Colunista de Notícia, pelo jornal O Dia.

Entrevista

Na Mira - Como começou seu envolvimento com o jornalismo?

Boechat – Gostava de escrever, gostava de ler jornais e revistas, gostava de política, gostava do noticiário internacional e era um aluno medíocre em ciências exatas. Conseguia boas notas em redação. Não raro, fazia a minha e a de colegas que, em troca, me davam cola em Matemática. Nunca tive, entretanto, atração especial pelo jornalismo. Sabia o que não queria ser – e não queria ser muitas coisas. Mas a profissão de repórter não estava nessa lista. Aos 16 anos desisti de ir à escola. Queria trabalhar, ter liberdade e algum dinheiro no bolso. Procurei emprego, de vendedor de livros, de vendedor de material de escritório… Aceitaria qualquer coisa que me permitisse caminhar sozinho. O pai de uma colega de escola, ao encontrar-me casualmente e saber o que estava fazendo, insistiu que eu deveria tentar jornalismo, porque considerava que levava jeito. Ele trabalhava na área Comercial do hoje extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro, e pediu que me dessem uma oportunidade. Fui ficando por lá, fazendo aquelas coisas que os focas faziam, e a vida seguiu seu rumo. Se esse gentil “padrinho” me enviasse a uma empresa de coleta de lixo, provavelmente eu seria gari até hoje.

NM - Qual foi a sua maior dificuldade no inicio de carreira?

Boechat – Ter que trabalhar. A praia sempre foi melhor…

NM – Boechat e os tempos de trabalho com o Ibrahim Sued, o que você aprendeu de melhor com ele?

Boechat – O Turco era um chefe severo, severíssimo, muito exigente. Nunca disse que algo estava bom. Nunca fez um elogio. As opções diante dele eram levar um grande esporro ou um esporro moderado. Nada que reduzisse sua generosidade como figura humana, nem o muito que ensinava intuitivamente, sendo como era. A cada bronca recebida, o destinatário da espinafração tratava de corrigir o rumo, de melhorar o que estava fazendo, de aumentar o rigor na apuração. Um furo, por melhor que fosse, sempre era insuficiente. Correr atrás, o tempo todo. Ligar, ligar, ligar, apurar, apurar, apurar. Não relaxar. Jamais desfrutar a sensação de que o objetivo tinha sido alcançado. Num ritmo desse, por quase 14 anos, ou se aprende algo ou se mata o patrão. O Ibrahim morreu de causas naturais. E até hoje sinto saudades dele.

NM – O que você ainda não fez na sua vida profissional, que gostaria de realizar?

Boechat – Tirar seis meses de férias. Em segundo lugar, ser correspondente internacional na Rive Gauche.

NM – Qual a matérial ou situação mais engraçada que você passou?

Boechat – Dei uma nota na coluna Swann no Globo, um dia, matando o Altamiro Carrilho.  Me referi a ele como “saudoso”. Na manhã seguinte, descobri que aquela seria – ao menos até agora – a mais gratificante barriga de minha carreira. Afinal, se a notícia estivesse correta, não teríamos o Altamiro, que fará  85 anos em dezembro, ainda tocando suas flautas mágicas, para alegria do planeta, com uma saúde de fazer inveja às mais peladas rainhas de bateria do carnaval carioca.

NM – Como se explica a relação entre política e imprensa?

Boechat – Tudo é notícia quando algo acontece que possa interessar às pessoas. Quanto mais gente se interessa, mais notícia é. Isso vale para a política, os políticos e para qualquer outro campo da vida. Em todos eles é preciso ter fontes, entender um pouco do que se está falando, enfim, estar apto a contar e explicar o que aconteceu. Políticos não são os únicos integrantes da sociedade interessados em manter canais de contato com a imprensa. Nesse sentido, não há, insisto, uma “relação” própria entre a política e a imprensa. Pessoalmente, embora dele me ocupe regularmente, acho o noticiário político uma das coisas mais chatas de nossa rotina profissional.

NM – Qual a sua opinião sobre a atual política Brasileira?

Boechat – Não me provoque…

NM – Você já recebeu alguma proposta para atuar na política?

Boechat – Já. Algumas vezes. Cada uma dessas conversas durou, no máximo, 30 segundos.

NM – Qual dica você dá para quem está iniciando no jornalismo?

Boechat – “Prepare-se para sofrer”. Brinco com estudantes em encontros eventuais descrevendo as qualidades básicas de um jornalista: “insônia, pressão alta, vida familiar maltratada pela rotina massacrante, síndromes diversas, orçamento no osso, prisão de ventre…”. No conjunto – há expressivas exceções – é ofício que não paga bem, especialmente fora dos grandes centros e dos grandes veículos. Que exige muito em dedicação, em paixão, em tempo de vida. Na qual, por vias normais, se progride devagar, à custa de muito suor. Mas também é profissão instigante, movimentada, rica em assuntos, em emoções, detentora de uma aura que inspira admiração nas pessoas. Principalmente, é um meio onde não se morre de tédio. No balanço geral, é uma carreira que vale o que pede a cada um de nós. O conselho, enfim? Paguem o preço.

NM – Você Lê o Comunique-se? O que te chama mais atenção no Portal?

Boechat – Notícias sobre a imprensa são pouco freqüentes na própria imprensa. Já foram bem mais escassas, mas ainda estão longe de merecer espaço regular. A máxima “jornalista não é notícia”, cultivada por muitos de nós, talvez esteja na base desse, digamos, menosprezo setorial. Nesse sentido, o que mais aprecio no Comunique-se são exatamente as informações sobre as empresas, os profissionais e o cotidiano das redações, bem como as discussões, com muitos comentários e divergências, sobre o que acontece em nosso meio.

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