Entrevista com PVC da ESPN

Publicado: 19 de abril de 2010 em Canal de Entrevistas, Entrevista, Entrevistados de 2009, Esportes, jornalismo, Prêmio Comunique-se
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Entrevista realizada em Março de 2009.

O Na Mira entrevistou Paulo Vinicius Coelho, o homem considerado uma “Enciclopédia Humana”, que é um dos jornalistas esportivos mais respeitado e renomado do Brasil. Apaixonado por futebol, superou a timidez, e hoje é exemplo de profissional bem sucedido para todos.

Paulo Vinicius de Mello Coelho, mais conhecido como PVC, nasceu no dia 30 de agosto de 1969 em São Paulo. Formou-se em jornalismo em 1990, pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo.

Começou a carreira como repórter do Diário do Grande ABC, e acumulou passagens pala Editora Abril, revista Ação e revista Placar. Atualmente escreve para Folha de S. Paulo e, desde 2000, é comentarista e chefe de Reportagem da ESPN Brasil. O profissional ainda cobriu as Copas do Mundo de 1994, 1998 e 2006.

PVC é um grande analista tático e destaca-se pela sua incrível memória (vez por outra, nos programas, consegue listar a escalação de times antigos, o placar do jogo e quem fez os gols, quem foi expulso etc.). Por suas qualidades é, sem dúvida, um dos jornalistas esportivos mais conceituados e populares do país.

O jornalista diz que só revela o seu time quando é realmente necessário, isto é, quando lhe perguntam. Ele é palmeirense.

Ganhou os prêmios Abril de 1993, 1995 e 1997, pela melhor matéria de esportes da editora. Em 2008, ganhou o Prêmio Comunique-se na Categoria Jornalista de Esportes – Midia Impressa.

Entrevista

Na Mira – Essa sua grande memória é natural? Como você se organiza para continuar sendo uma enciclopédia humana?

PVC – Não é memória, é trabalho. Mas vale a explicação. Não há nada como a memória do garoto de 10 anos. Eu nunca precisei olhar em livro nenhum para saber a escalação do Guarani, campeão brasileiro de 1978. Eu tinha 9 anos, grudou na minha cabeça, nunca mais saiu. O São Paulo campeão brasileiro de 2008 eu sei: Rogério, André Dias, Rodrigo e Miranda; Joílson, Hernanes, Jean (Richarlyson na final), Hugo e Jorge Wágner; Dagoberto e Borges. Sei porque, ao final do torneio, parei, me organizei e resolvi lembrar. Esse exercício é memória, porque se não contar com ela a informação some. Mas é trabalho, também. Quando você tem 9 anos e é louco por futebol, sua vida é falar, pensar, lembrar coisas de futebol. Quando tem 39, tem de lembrar de pagar a escola do filho, a prestação do apartamento… Aí, a informação some da sua memória e muita gente põe a culpa no futebol. “Ah, não é mais igual ao futebol do passado.” Pode ser. Mas, além disso, uma outra coisa mudou: você. Você não é igual a quando tinha 9 anos.

NM – Quando você percebeu que queria ser jornalista?

PVC – Percebi é uma boa palavra. Eu percebi, quando tinha 14 anos. Era um garoto tímido e ouvia que, como jornalista, não ia ganhar dinheiro. Por isso, só decidi aos 17 anos. Decidi que preferia trabalhar 7 dias por semana sendo feliz a trabalhar 5 dias para ser feliz em apenas dois. No fim de semana.

NM – Você teve problema com a timidez no inicio da carreira? O que fez para perder e solucionar esse problema?

PVC – Quando eu decidi virar jornalista, decidi que tinha de superar o problema. Se ser tímido era um problema, eu tinha de superá-lo. Não significa que eu resolvi completamente o problema. Eu nunca fui um cara atirado com garotas, por exemplo. Mas se era preciso fazer uma entrevista, eu tinha de perguntar o que era preciso saber. A necessidade me fez superar o problema.

NM – Como surgiu sua paixão pelo futebol e ser um estudioso do assunto?

PVC – Eu fui a meu primeiro jogo aos 5 anos. Fui levado por meu avô, luso, a um Portuguesa 2 x 1 Juventus, dia 29 de março de 1975. Como fiquei maluco por futebol, passei a gostar de ler sobre futebol também. Não virei um estudioso. Virei um leitor e espectador.

NM – Você está o dia todo estudando e buscando informação, ou melhor,  você respira 24h futebol?

PVC – Respiro. Graças a Deus, eu trabalho com isso. Posso me preocupar com coisas que penso e resolvo apurar. Ou simplesmente trabalhar como jornalista e apurar, apurar, apurar…

NM – É verdade que você já foi sondado para ser treinador de futebol? Você aceitaria?

PVC – Não fui sondado. Apenas uma vez um cara dizendo representar a Inter de Limeira ligou aqui para a TV. Uma outra vez, o assessor de imprensa do Cruzeiro me relatou uma frase do Zezé Perrella: “Esse aí entende de futebol. Será que ele não quer começar como auxiliar-técnico?”

NM – Qual o maior time e melhor treinador que você já viu?

PVC – Eu nasci em 1969. O melhor time que vi jogar na minha vida foi o Flamengo, de 1981. Essa resposta tem sempre algum componente emocional, da linha do que eu digo na primeira pergunta desta entrevista. Mas a resposta é: Flamengo. O melhor técnico foi Telê Santana.

NM – Qual foi a matéria ou a situação mais engraçada que você já passou?

PVC – Ah, tem tanta coisa… Como curiosidade, lembro da minha primeira viagem internacional. Fui à África, fazer matéria para a revista Placar sobre o futebol no continente. Passei 16 dias por lá em 1993. Minha mala não chegou. Fiquei 15 dias na África sem encontrar a mala e as roupas. Encontrei-as intactas 15 dias depois de voltar ao Brasil.

NM – O que você gosta de fazer nas horas vagas?

PVC – Hoje em dia, o que eu faço nas horas vagas é ficar com meus filhos, ir ao clube, ir ao cinema. Mas gosto também de… ver futebol!

NM – Qual é a dica que você dá para quem está iniciando no jornalismo?

PVC – Não tem outra dica. A única é: trabalhar, trabalhar, trabalhar. A questão é nunca esquecer que você, como jornalista, nunca vai ser notícia. Por isso, nunca esquecer de apurar.

NM – Você Lê o Portal Comunique-se? O que mais te chama atenção no portal?

PVC – Eu entro com freqüência. Gosto das colunas, como a do Moacir Japiassu. E é sempre de se lembrar a importância que ganhou o prêmio Comunique-se nos últimos anos. Prêmio que tive a honra de ganhar em 2008.

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